
Gilberto Cipullo é o homem forte do futebol do Palmeiras. O vice-presidente, sempre político nas declarações, não esconde a frustração com a queda de rendimento do time e a iminente perda do título brasileiro, esperado há 15 anos.
Conselheiros influentes, da própria situação, tem relatado a decepção de Cipullo com o trabalho de Muricy Ramalho. Publicamente, o vice diz que a relação é boa com o técnico e que pretende mantê-lo no cargo em 2010.
Mas o dirigente, campeão brasileiro em 1993 e 1994, não esconde a insatisfação com a fase.
– Nunca tive um campeonato tão nas mãos e ao nosso alcance.
No último sábado, Gilberto Cipullo esteve na Academia de Futebol pela manhã, conversou com Muricy durante o treino, e ouviu do técnico que o saldo da “lavação de roupa suja” na reunião de sexta foi positivo. Neste domingo, o vice vai ligar a TV e secar os rivais para tentar voltar a sonhar com a taça.
Antes disso, Cipullo falou de toda sua decepção ao LANCENET!:
LANCENET!: Após segurar jogadores, contratar Love e Muricy, como você vê a crise bem na reta final?
Gilberto Cipullo: Nessa questão, ninguém pode falar nada. Nós fizemos o que era possível, com contratações, não venda de atletas (Cleiton Xavier e Diego Souza), pagando multa de jogador (Pierre e Maurício Ramos). Trouxemos o técnico tricampeão, Vagner Love... Ninguém pode falar nada do trabalho.
LNET!: O Marcos falou em falta de cobrança da direção e pessoas no clube também reclamam disso.
GC: É, o que se reclama é que teria faltado cobrança da diretoria. Sinceramente, não aceito essa crítica. Vamos cobrar o quê de um time que é líder? Quando sofremos as três derrotas seguidas (21/10), houve reunião. Fomos lá na Academia e falamos com os atletas.
LNET!: Você está decepcionado com o trabalho do Muricy Ramalho?
GC: Eu não estou decepcionado com o Muricy, mas sim com o fato de ver um campeonato nas nossas mãos escapando assim.
LNET!: O Muricy, como técnico, não tem culpa nisso? Qual a sua avaliação sobre o trabalho dele?
GC: Os resultados não apareceram nesta reta final. Nós caímos. O problema maior do Muricy no Palmeiras é não ter montado o elenco. A adaptação do sistema de jogo não é fácil. Ele também perdeu três jogadores na reta final. A zaga e a proteção da zaga ficaram desfalcadas. O próprio Vanderlei (Luxemburgo) disse que, quando um técnico chega em um time montado por outro, encontra dificuldade. O Muricy tem um estilo de jogo diferente. Ele encontrou essa dificuldade, é normal. O que não podemos é ficar vendo fantasma.
LNET!: Ao contratá-lo no meio do torneio, vocês sabiam que o Muricy tem outro estilo de jogo, certo?
GC: Nós trouxemos o tricampeão do Brasil e não foi para fazer um trabalho de três meses. Essas dificuldades a gente sabia que ele teria.
LNET!: No Palestra Itália, há o comentário de sua irritação com ele.
GC: As pessoas lançam essas coisas sem saber. Eu me dou bem com o Muricy. Fui ao CT conversar com ele. O Muricy achou positiva a reunião com os jogadores.
LNET!: Se o time ficar fora da Libertadores, o Muricy será demitido?
GC: Não vejo razão para isso. Nós não pensamos em tirar o Muricy.
LNET!: Você falou em decepção com a campanha. É a maior frustração?
GC: Não é exatamente decepção com a campanha, já que há muito tempo o Palmeiras não ficava tanto tempo na liderança. Estou frustrado por não ganhar. Fui campeão como diretor em 1993 e 94, campeão paulista no ano passado e nunca tive um campeonato tão na mão e ao nosso alcance.
LNET!: Houve uma reunião de diretoria na quinta. O que foi tratado?
GC: Nós conversamos sobre a punição dos jogadores, sobre o momento, CT de São Roque (base).
LNET!: A punição ao Maurício e ao Obina, aliás, já está superada? Foi mesmo a melhor decisão?
GC: Foi uma decisão tomada e que não foi de cabeça de quente, foi com muita calma. Nós (diretoria) tomamos em comum acordo com o Belluzzo (presidente). Ele não estava em Porto Alegre, mas ligamos para ele e concordamos.
LNET!: O Muricy chegou a falar em decisão com a cabeça quente.
GC: Não foi de cabeça quente. O fato foi muito grave. A gente não poderia de forma nenhuma deixar de punir. São dois bons funcionários, mas os fatos foram mesmo muito graves. O Marcos pediu a reintegração, fez o papel dele. Isso faz parte. Mas é um assunto que já está superado.
LNET!: Agora é pensar nos dois jogos que restam ao time, não é?
GC: É, vamos ver. Se o Flamengo e o São Paulo perderem, quem sabe, ainda estaremos na briga.











Gualberto


















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